A arte de contar histórias sequenciais: como os quadrinhos evoluíram das tiras aos sucessos de bilheteria

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Culpa! Zap! Prisioneiro de guerra! Não são apenas ruídos aleatórios rabiscados num canto. Eles são o dialeto visual de um tipo específico de comunicação humana. Você os conhece como a pulsação dos quadrinhos.

Essas publicações ocupam um lugar estranho e maravilhoso na história americana. Eles são a torta de maçã e o Quatro de Julho da literatura. Cheio de imagens icônicas, drama de alto risco e, ocasionalmente, arte que pertence ao MOMA.

Você os vê em todos os lugares agora. Livrarias de shopping centers. Boutiques geeks. Bancas de jornais. Os filmes baseados neles dominam as bilheterias há meses. Faz sentido. Essas histórias inspiraram uma subcultura fanática com gírias próprias e piadas internas. Qualquer fã dos primeiros trabalhos de Kevin Smith sabe exatamente o que quero dizer.

Mas os filmes não são o único meio que sai bem disso. A variedade de quadrinhos e obras afins é tão vasta que precisamos primeiro definir o termo.

Definindo o meio: além de apenas “páginas engraçadas”

Uma história em quadrinhos combina arte desenhada – colorida, preto e branco ou ambos – com texto para contar uma história. Geralmente têm de 20 a 30 páginas. À medida que ficam mais longos, os editores começam a chamá-los de histórias gráficas.

Identificá-los estilisticamente é fácil. Cada página é segmentada em painéis (ou quadros). Estes possuem bordas que os separam dos demais painéis. Cada painel contém uma parte da história. Talvez seja diálogo. Talvez sejam os pensamentos íntimos de um personagem, mostrados por meio de fala e balões de pensamento.

Os painéis são rotineiramente separados por áreas em branco chamadas calhas. Os artistas fazem o layout das páginas para que os painéis fluam de forma lógica. Eles guiam seu olho. Isso faz com que o leitor absorva a história sequencialmente. Conseqüentemente, os quadrinhos são frequentemente chamados de arte sequencial. Um tipo específico de narrativa gráfica.

As pessoas ainda zombam da ideia dos quadrinhos como “arte”. O meio tem uma história ligada ao entretenimento barato e discreto. Mas esses dias acabaram. Os quadrinhos modernos abrangem tantos gêneros e assuntos – frívolos e maduros – quanto os romances tradicionais.

Os quadrinhos são globais. Mas, para ver como os quadrinhos surgiram pela primeira vez, vamos nos concentrar na evolução americana da arte em quadrinhos. Com acenos para gigantes internacionais.

As origens da primeira história em quadrinhos

Peça a três especialistas para nomearem o primeiro gibi. Você provavelmente obterá três respostas diferentes. Depende da semântica exata que eles usam para definir o meio.

No entanto, a história aponta para 1842. Foi quando um livro completo com desenhos em painéis e legendas apareceu pela primeira vez na América. Era “As Aventuras de Obadiah Oldbuck”. Escrito por Rodolphe Topffer. Ele era um professor e artista suíço. Muitos historiadores consideram “Obadias” a primeira história em quadrinhos.

Após a descoberta de Topffer, os quadrinhos se espalharam lentamente. Eles se moveram pela mídia impressa como uma queima lenta.

Os quadrinhos modernos surgiram das histórias em quadrinhos. Quase sempre eram engraçados. É por isso que a palavra “quadrinhos” permaneceu por aí. Aquelas narrativas curtas com apenas alguns painéis, como “The Yellow Kid”, enfeitaram as páginas dos jornais a partir de 1895. “The Yellow Kid” usava balões de fala. Uma convenção ainda usada nos quadrinhos modernos hoje.

As histórias em quadrinhos foram apenas uma fase na evolução dos quadrinhos. Da virada do século até a década de 1930, os editores lançaram centenas de tiras diferentes. Eles apresentavam personagens ainda famosos como Dick Tracy, Popeye e Little Orphan Annie.

Essas tiras não apareciam apenas nas piadas de domingo. Outras formas de quadrinhos apareceram nas bancas de jornal e nos postos de gasolina. Eles vieram como livros de desenhos animados. E como truques publicitários.

Em 1933, os quadrinhos modernos começaram a tomar forma. Tudo começou com “Funnies on Parade”. A Eastern Color Printing reimprimiu esta pequena coleção de histórias em quadrinhos. Eles usaram páginas do tamanho de um tablóide. Isso significava simplesmente que a publicação era menor do que os jornais da época.

“Funnies” não estava à venda. A Proctor and Gamble o distribuiu como parte de uma promoção corporativa. Acabou sendo um grande sucesso.

A Eastern Color decidiu aproveitar o impulso. Eles começaram a vender um livro de quadrinhos. Ainda eram reimpressões de tiras engraçadas de domingo. Eles venderam muito bem nas bancas. Isso abriu a porta para o próximo grande salto na metamorfose dos quadrinhos.

A aventura épica dos quadrinhos estava apenas começando. Os novos quadrinhos e seus personagens principais estavam prestes a revolucionar a arte dos quadrinhos. Com apenas um pouquinho de hipérbole, eles poderiam ter mudado o curso da humanidade.

Quadrinhos do outro lado da lagoa

A Europa tem a sua própria história rica em banda desenhada. Assim como um cheeseburger na França é diferente de um nos EUA, a arte dos quadrinhos parece diferente dependendo de qual lado do lago veio.

Títulos de referência originados na Europa. Eles têm suas próprias tendências estilísticas e temas. Você tem “TinTin” da Bélgica. “Asterix e Obelix” da França. “Tex Willer” da Itália. “Agente 372” da Holanda. “O Beano” da Inglaterra. E até “Os Smurfs” da Bélgica.

A base está lançada. O cenário está montado. Mas a verdadeira explosão da indústria americana de quadrinhos – aquela que construiu o gênero de super-heróis que conhecemos hoje – está chegando.

A era de ouro não acabou simplesmente. Ficou sufocado.

No final da década de 1940, o excesso de super-heróis do pós-guerra havia se esgotado. Os editores lutaram para sobreviver. Eles se concentraram fortemente na ficção científica, nos faroestes, no crime e no terror. Terror, especificamente. Esse foi o movimento matador. E aquele que saiu pela culatra catastroficamente.

Entra Frederic Wertham. Um psiquiatra com um osso para escolher. Em 1954, ele abandonou Seduction of the Innocent. O livro não criticou apenas os quadrinhos. Culpou-os pela delinquência juvenil. Afirmava que ler sobre vampiros e gangsters transformava crianças em criminosos. Os pais entraram em pânico. O clima cultural mudou da noite para o dia.

A indústria não revidou com advogados. Ele revidou com um focinho.

O Estrangulamento do Código dos Quadrinhos

Para salvar a pele, os editores formaram a Comics Code Authority (CCA). Esta não era uma caixa de sugestões. Era um conjunto estrito de regras destinadas a tornar os quadrinhos completamente estéreis.

O objetivo? Inocência total.

Se você quisesse aquele selo oficial de aprovação, teria que seguir o código. Nada de “terror”. Nada de “horror”. Vampiros? Banido. Zumbis? Perdido. Lobisomens? Você não os viu. Tortura? Não em suas páginas.

Superman e Batman não precisaram mudar muito, mas o gênero mudou. Os quadrinhos de terror estavam efetivamente mortos. Os títulos convencionais tornaram-se insossos, seguros e totalmente esquecíveis. Os pais se sentiram melhor. Vendas? Bem, as vendas estagnaram. O meio perdeu a vantagem. Tornou-se um prazer culposo para as crianças que queriam dar uma espiada em algo um pouco perverso, mas nunca em algo verdadeiramente transgressor.

Ou assim parecia.

A Explosão Subterrânea

O código matou o terror mainstream. Também criou um vácuo.

E nesse vácuo entrou a contracultura da década de 1960.

Artistas e editores independentes perceberam que não estavam vinculados ao CCA se não quisessem o selo. Eles não se importaram com o selo. Eles se preocupavam com a liberdade. Isso deu origem aos quadrinhos underground, muitas vezes apelidados de comix.

Estes não eram livros de super-heróis. Eles eram confusos, barulhentos e explícitos.

  • Sexo. Drogas. Rock and roll.
  • Sátira política.
  • Obscenidade visual.

Artistas como Robert Crumb se tornaram as novas estrelas do rock. Fritz the Cat tornou-se um fenômeno cultural. Trashman e Wonder Wart-Hog ofereceram absurdos e sátiras que os editores convencionais nunca tocariam.

Isto não foi apenas rebelião. Foi um despertar artístico.

Sem cotas de vendas ou censura, os criadores experimentaram. As histórias ficaram complexas. A arte tornou-se sofisticada. O médium abandonou sua aparência exagerada e desenvolveu uma espinha dorsal literária. Os críticos que chamavam os quadrinhos de “lixo” começaram a notar. O estigma estava quebrando.

O underground provou que os quadrinhos poderiam ser mais do que apenas spandex. Eles poderiam ser sobre arte. Sobre a verdade. Sobre as partes complicadas do ser humano.

Quebrando o Selo

Demorou décadas para que o mainstream se recuperasse. Mas a mudança foi inevitável.

Em 2011, a DC Comics tomou uma decisão silenciosa, mas monumental. Eles se retiraram oficialmente da Comics Code Authority. Foi o fim de uma era. Cinquenta anos de autocensura, desaparecidos numa assinatura.

A Marvel já havia deixado o código anos antes. Mas a saída da DC foi simbólica. Sinalizou que o medo de “corromper a juventude” já não era uma necessidade empresarial. Foi apenas história.

A metamorfose de um médium

O resultado? Um cenário de quadrinhos que não era mais definido pelo que não podia fazer.

O meio sobreviveu à sua própria purificação. Sobreviveu à reação, à censura e aos expurgos culturais. Surgiu do underground e da pressão dominante para se tornar algo mais resiliente.

Hoje, você não vê “terror” ou “horror” banido das páginas. Você os vê em todos os lugares. De Hellboy a Saga. O código é um fantasma.

Mas as cicatrizes permanecem. A indústria ainda se equilibra entre acessibilidade e complexidade. Entre a criança que quer salvar o mundo e o leitor que quer explorar a escuridão.

A revolução não aconteceu com um estrondo. Aconteceu com um sussurro. E então um grito. E por fim, um silêncio que deixou respirar as histórias reais.

O que acontece quando a última barreira cair? Ainda estamos observando para ver.

Os anos 70 e 80 mudaram tudo. Os quadrinhos deixaram de ser apenas diversão descartável. Eles ficaram sérios. A indústria começou a usar o termo história gráfica para descrever histórias mais longas e complexas. Estas não eram simples histórias de bem contra o mal. Eles abordaram a filosofia pesada. Eles exploraram a moralidade. Os heróis eram falhos. Eles foram danificados. Eles eram humanos.

Pense nos titãs daquela época. Vigilantes. Maus. O Retorno do Cavaleiro das Trevas. Não eram apenas livros. Eram eventos culturais. Eles provaram que o meio poderia lidar com nuances. Eles mostraram o que acontece quando escritores inteligentes colaboram com artistas incríveis. O resultado foi uma demonstração de poder de contar histórias.

Desde esses lançamentos inovadores, o gênero explodiu. Os criadores não olharam para trás. Eles pegaram essas lições e as aplicaram a todos os gêneros imagináveis. Se você quiser se aprofundar na história do termo em si, nosso guia sobre como funcionam as histórias em quadrinhos detalha a evolução.

O Duopólio Domina

Você pode pensar que a cena indie está prosperando. Isso é. Mas olhe para os números. Nos EUA, a DC Comics e a Marvel não são apenas grandes. Eles são tudo. Eles respondem por cerca de 80% de todas as vendas de quadrinhos. São oito em cada dez livros.

Por que? Filmes de grande sucesso. Super-homem. X-Men. Homem de Ferro. Essas franquias impulsionam as vendas de uma forma que os títulos independentes raramente conseguem. A sinergia entre tela e página é inegável.

Mangá assume o controle

Enquanto a América aperfeiçoava o seu complexo industrial de super-heróis, o Japão fazia algo totalmente diferente. O Japão pós-Segunda Guerra Mundial não adotou apenas os quadrinhos. Eles os abraçaram em massa. O resultado é mangá.

O mangá é maior no Japão do que os quadrinhos nos EUA. É um espetáculo cultural. Tem como alvo todos. Crianças. Adolescentes. Adultos. Homens. Mulheres.

“Os mangás geralmente são simplesmente desenhos em preto e branco, com cores ocasionais, e apresentam histórias que não agradam aos meninos, mas às meninas.”

Aqui está a reviravolta. Nos EUA, o mangá não está apenas crescendo. Está superando as vendas de títulos americanos em algumas categorias. Pegue Death Note ou Fake. Estes não são produtos de nicho. Eles são sucessos populares.

E aqui está a parte surpreendente. A força motriz por trás deste mercado? Garotas. A maioria dos títulos de mangá são voltados para o gosto feminino. O estilo de arte. A história é um arco. Eles são projetados para capturar esse grupo demográfico.

A criatividade ainda é alta. Em Tóquio e Nova Iorque, escritores e artistas estão a ultrapassar limites. Eles estão fazendo os personagens saltarem da página. Mas como eles realmente fazem isso? A mecânica dessa magia é a próxima.

A linha de montagem da imaginação

A criação de quadrinhos raramente é um ato solo. Embora você possa imaginar um gênio solitário desenhando isolado, os quadrinhos convencionais dependem de uma linha de montagem especializada. Um único livro geralmente requer um escritor, um desenhista, um tinteiro, um colorista e um letrista. Cada função é distinta. Cada um é essencial.

O escritor estabelece as bases. Eles conceituam o enredo e elaboram o diálogo. Mas eles não estão apenas digitando palavras no vazio. Eles estão visualizando como o texto e a imagem irão interagir. Às vezes eles ditam cada painel. Outras vezes, eles colaboram fortemente com a equipe de arte para garantir que a história flua visual e narrativamente.

Depois vem o lápis. Esses artistas desenham os primeiros painéis iniciais. Eles estabelecem os personagens e o cenário. Pense nesses esboços como a estrutura do esqueleto. Sem eles, não há arquitetura sobre a qual o resto da equipe possa construir.

Adicionando músculos e humor

Depois que os lápis são baixados, o tinteiro entra em ação. Isso não é apenas traçado. Trata-se de adicionar vida. Os arte-finalistas usam esquemas de sombreamento complexos para injetar drama e movimento em imagens estáticas. Uma espessura de linha pesada pode fazer um personagem parecer imponente. Um toque mais leve pode sugerir velocidade ou fragilidade. O arte-finalista decide em que o olho deve focar.

Depois que a tinta seca, o colorista assume o controle. É aqui que o humor se torna tangível. Os coloristas selecionam uma paleta específica que combina com o tom da história. Os tons escuros não preenchem apenas o espaço; eles adicionam gravidade e drama. Tons mais brilhantes podem evocar alegria ou admiração. A escolha certa da cor pode mudar uma cena de aterrorizante para triunfante em segundos.

Finalmente, o carteiro adiciona a camada final de comunicação. Eles colocam legendas e balões de fala. A escolha da fonte é importante. Fontes em negrito transmitem ênfase. Letras onduladas e trêmulas indicam incerteza ou medo. As letras orientam o ritmo do leitor, obrigando-o a desacelerar ou avançar.

A crise do tempo

Laura Martin, colorista da Marvel Comics, ressalta que, embora alguns artistas tentem lidar sozinhos com todos esses papéis, isso é raro nas publicações convencionais. Por que? Prazos.

Os quadrinhos convencionais chegam às lojas em um ritmo brutal: uma edição por mês. As restrições de tempo tornam o modelo colaborativo não apenas preferido, mas necessário. A maioria dos desenhistas e arte-finalistas consegue produzir cerca de uma página por dia. No final do mês, uma edição padrão de 20 a 30 páginas estará pronta. É um ambiente de alta pressão. Mas o sistema funciona.

Dia de quadrinhos grátis

Esse esforço colaborativo culmina em eventos como o Free Comic Book Day. Realizado anualmente no primeiro sábado de maio, este não é apenas um evento de caridade. É um movimento estratégico das lojas de quadrinhos.

As lojas oferecem títulos específicos gratuitamente. Sim, é comercializado como um presente para crianças “legais”. Na prática, está aberto a todos. O objetivo é duplo: agradecer aos leitores fiéis e atrair novos públicos. É um ponto de entrada. Uma forma de transformar um navegador em comprador.

Uma vida em quadrinhos para mim

Mas como esses profissionais chegaram lá? E como é a realidade do dia a dia?

A rotina da publicação de quadrinhos convencionais é implacável. Os prazos são brutais. Brian Stelfreeze, que desenhou dezenas de capas para DC e Marvel, sabe disso melhor do que ninguém. Ele insiste que o trabalho em equipe é tudo neste ambiente.

Nem sempre foi assim para ele.

“Comecei minha carreira como ilustrador comercial, então o processo de um trabalho dividido entre três artistas me pareceu bastante estranho”, diz Stelfreeze.

Agora? Ele está convencido da sinergia.

“Os quadrinhos dependem da sinergia de especialistas e da criação de uma obra maior que a soma de suas partes”, explica. “Mas muitas vezes acho que é tão forte quanto o seu elo mais fraco.”

Isso destaca uma dura realidade sobre o fluxo de trabalho da indústria de quadrinhos. Você pode ter um escritor de nível divino e um arte-finalista lendário, mas se o colorista perder o clima, tudo desmorona. Não é apenas arte. É montagem.

O caminho não linear para a tinta

Você pode estar se perguntando como um artista de classe mundial como Stelfreeze acabou nos quadrinhos.

A estrada não é reta.

A formação de Stelfreeze é uma colcha de retalhos. Ele desenhou caricaturas editoriais no ensino médio. Ele retocou camisetas em Myrtle Beach. Ele faltou totalmente à escola de artes para conseguir um emprego como ilustrador comercial.

Então, ele voltou a se apaixonar pelos quadrinhos.

“Eu sempre quis desenhar quadrinhos quando era criança, então pensei em tentar pelo menos uma vez”, disse ele. “Últimas palavras fatídicas ditas por muitos alcoólatras, drogados e (e) vampiros.”

É um refrão comum. Uma tentativa leva a outra. Depois um contrato. Depois uma carreira.

Laura Martin mordeu a bala na universidade, mas por motivos diferentes.

“Eu li quadrinhos quando criança e no início da adolescência, mas os descartei em grande parte até a faculdade”, diz Martin.

Na University of Central Florida, ela se formou em design gráfico e se formou em história da arte. Mas a verdadeira educação acontecia à noite. Ela trabalhava no Kinko’s.

Vários funcionários eram fãs de quadrinhos. O entusiasmo deles reativou o dela.

“Isso me deixou entusiasmada com os quadrinhos novamente”, diz ela.

Coloristas digitais e restrições criativas

O trabalho de Martin é 99% digital atualmente.

Mas o estilo e a técnica variam muito dependendo do artista.

“A coloração em quadrinhos faz parte de uma colaboração”, observa Martin. “Não estamos criando arte nova. Nosso trabalho é aprimorar a arte em preto e branco desenhada por um desenhista e um arte-finalista, que é desenhada com base em uma história escrita por um escritor.”

Isso significa que os artistas raramente têm controle criativo completo.

Seu trabalho é ditado pelo cenário da história. O humor é importante. A iluminação dita sua paleta.

A eficiência é fundamental.

“Muitos profissionais pintam mais de sessenta páginas por mês”, diz Martin. “Portanto, temos técnicas e estilos para maximizar a produtividade sem sacrificar a narrativa ou o estilo.”

Sessenta páginas por mês. São cerca de duas páginas por dia. Diariamente.

Não há espaço para erros. Não há tempo para pensar demais.

Da tinta à tela

Ler esta descrição de um fluxo de trabalho de quadrinhos pode fazer você pensar que todo o processo parece vagamente cinematográfico.

Isso acontece.

Storyboards. Scripts de cores. Produção baseada em equipe.

Na próxima página, você verá como o trabalho desses artistas realmente chega às telonas.

Quadrinhos levam a prata

Os quadrinhos não são mais apenas para crianças. Nos últimos vinte anos, eles penetraram em todas as fendas da nossa cultura. Hollywood está praticamente se afogando em adaptações.

Vimos de tudo, desde Homem-Aranha e Watchmen até a escuridão de From Hell e Ghost World. O material está aí. O suspense está aí.

Às vezes, funciona. Espetacularmente.

Veja O Cavaleiro das Trevas. A Warner Bros. despejou sua energia naquele filme épico do Batman, e a bilheteria confirmou isso. Arrecadou mais de US$ 500 milhões. Homem de Ferro não ficou muito atrás, arrecadando mais de US$ 300 milhões. Cada um dos três primeiros filmes do Homem-Aranha também ultrapassou a marca de US$ 300 milhões.

Depois, há Arame Farpado.

Aquele? Um fracasso espetacular. Ganhou menos de US$ 4 milhões. Desastre total.

Como o público se conecta com filmes de quadrinhos

Os dados são claros. O público se conecta quando essas histórias chegam às telonas. Mas por que alguns voam enquanto outros caem?

Brian Stelfreeze, um famoso quadrinista, tem ideias sobre o assunto. Ele argumenta que os filmes de quadrinhos enfrentam um obstáculo único. Eles são tão bons quanto o material de origem de onde extraem. Mas há uma diferença fundamental na forma como consumimos essas histórias.

“Consumimos filmes, mas interpretamos quadrinhos”, explicou Stelfreeze.

Os filmes são estáticos. Eles são o que são. Os quadrinhos são envolventes. Eles são interativos.

Ao ler uma história em quadrinhos, você preenche as lacunas. Você fornece a atuação. Você fornece a direção. Você imagina o som, o movimento, o peso do soco. O texto e a arte podem fornecer apenas dez por cento da história real. O resto? Essa é a sua imaginação trabalhando horas extras.

A lacuna entre a página e a tela

Isso cria uma dinâmica estranha para adaptações cinematográficas.

Stelfreeze aponta que a qualidade de um filme de quadrinhos geralmente corresponde à qualidade dos quadrinhos comuns. Ele citou o último filme do * Justiceiro * como um excelente exemplo. No papel, estava tudo bem. Média, até.

Mas os leitores têm uma versão fantasiosa de The Punisher em suas cabeças. Essa versão interna é sempre melhor que o filme. É sempre mais brutal, com mais nuances, mais você.

Os filmes não conseguem replicar essa fantasia personalizada. Eles simplesmente não podem.

Os quadrinhos provaram seu valor. Eles se infiltraram na sociedade. Hollywood sabe disso. Mas à medida que avançamos nesta série, veremos como os quadrinhos estão encontrando fama em outras partes do diálogo cultural da América.

A Iminência dos Quadrinhos

Esqueça a ideia de que histórias em quadrinhos são apenas para crianças que não conseguem lidar com um romance. O meio passou por uma enorme mudança de identidade. Tudo começou como entretenimento popular. Sobreviveu à censura. Agora é uma ferramenta educacional legítima.

Professores que costumavam confiscar quadrinhos do Superman agora os estão distribuindo. Por que? Porque a narrativa visual desbloqueia a compreensão para leitores relutantes. Quando você luta com texto denso, as imagens fornecem uma ponte. Eles ajudam os alunos a compreender o simbolismo e a estrutura narrativa sem se perderem na sintaxe. A barreira de entrada não desapareceu, mas é menor.

Essa versatilidade vai além da ficção. Os quadrinhos biográficos estão se tornando um formato preferido para explicar vidas complexas. Veja o caso da Bluewater Productions. Eles não se limitaram apenas aos super-heróis. Eles abordaram pessoas reais.

No final de 2011, eles lançaram um título sobre Donald Trump. Essa é apenas uma entrada em um catálogo que inclui Barack Obama, Justin Bieber e Jon Stewart. O formato permite cronogramas rápidos e digeríveis de figuras públicas. Transforma a biografia em uma linha do tempo visual.

Depois, há a internet. Os quadrinhos da web mudaram completamente o jogo. Não são apenas páginas digitalizadas de quadrinhos impressos. São experiências digitais nativas. Artistas falam sobre a tela infinita. É um termo que descreve a tela como um espaço de trabalho ilimitado. Você não está sujeito a viradas de página ou custos de impressão.

Você pode rolar verticalmente. Você pode expandir os painéis infinitamente. O próprio layout se torna parte da história. Essa liberdade digital gerou gêneros que não existem em nenhum outro lugar impresso.

Percorremos um longo caminho desde o estereótipo do “livro engraçado”. O meio venceu a repressão governamental. Conquistou educadores. Passou de piadas de painel único para romances épicos. E agora, ele vive online.

Se a história servir de guia, a história ainda não acabou. Está apenas começando.

Agradecimentos especiais

Agradecimentos especiais a Laura Martin e Brian Stelfreeze pela ajuda com este artigo.

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