Fica mais quente. Depois fica pior.
O verão não é mais o que costumava ser. Os cientistas já disseram isso antes. Você ouviu isso na semana passada. Mas agora? Agora é a linha de base.
Veja a Europa. A França enterrou mais de 2.000 almas extras durante a onda de calor de junho. Inglaterra e País de Gales? Esse número chega a 2.700 desde maio. Aqui nos EUA, quarenta e quatro pessoas morreram no fim de semana de 4 de julho.
Chocante? Para muitos. Mas para o pessoal de Phoenix, Arizona, o calor não é mais uma surpresa. É terça-feira.
O condado de Maricopa possui um dos climas mais severos do planeta. Eles sabiam que isso aconteceria. Então, enquanto outros lugares entram em pânico, Phoenix planeja. Eles vêm trabalhando há anos em como manter as pessoas vivas quando o mercúrio dispara. E adivinhe? Funciona.
Como o condado de Maricopa reduz as taxas de mortalidade por calor
Vamos falar de números. Porque os dados não mentem, mesmo que os políticos o façam.
As mortes por calor na área atingiram um pico em 2023. Seiscentos e quarenta e cinco. Assustador, certo? Era.
Em 2025, esse número caiu. Até 405.
As mudanças climáticas reverteram o curso? Não. O planeta ainda está assando.
Então, o que mudou? Política. Política específica, enfadonha e eficaz.
A maioria das mortes por calor não acontece com pessoas com bolsos fundos. Eles acontecem com os pobres. Para aqueles sem poder. Para quem mora na rua. Phoenix percebeu isso. Eles pararam de tratar o calor como um evento climático e começaram a tratá-lo como um problema de infraestrutura.
A solução não era de alta tecnologia. Foi básico.
- Acesso. Centros de resfriamento que permanecem abertos. Alguns funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana. Sem portões. Sem verificações. Apenas ar frio.
- Equipamentos. Reparos e substituições de aparelhos de ar condicionado. Se você não puder pagar pela solução, o condado intervém.
- Responsabilidade. Eles nomearam um Oficial de Calor. Alguém cujo único trabalho é o calor.
“É extremamente importante responsabilizar alguém. Se ninguém é o dono do problema, o problema o ignora.”
— Ladd Keith, Universidade do Arizona
Coisas simples? Talvez. Mas outras cidades não têm isso.
Por que um oficial de aquecimento dedicado muda tudo
Pense no seu governo local. Quem lida com a chuva? A neve? Geralmente alguém.
Mas quem aguenta 110 graus durante quatro dias seguidos?
Ladd Keith argumenta que ter um “Oficial de Calor” específico preenche a lacuna. Essa pessoa coordena entre as agências. Eles garantem que os centros de resfriamento abram antes que a emergência chegue. Eles cuidam das comunicações. Sem esse único ponto de falha, as coisas caem no esquecimento.
Jennifer Marlon, pesquisadora de Yale, vê isso claramente.
“O mundo tem muito que aprender”, diz ela.
Você pode replicar o modelo de Phoenix em outro lugar. Mas é preciso admitir algo feio: o calor está chegando para todos.
Mesmo que as emissões parem amanhã, estaremos presos. A Terra já está 1,1 graus Celsius mais quente do que nos tempos pré-industriais. As estradas cedem. Os aviões não podem decolar quando o ar fica muito denso com o calor. Esta não é apenas uma crise de saúde. É econômico também.
A incômoda verdade sobre os futuros recordes de calor
Aqui está o problema. As vitórias em Phoenix não duram para sempre se não acompanharmos.
No início de julho, o município já tinha 23 mortes confirmadas. Mais 282 investigação pendente. Se isso conta? Eles estão à frente do ano passado.
O progresso não é automático.
Especialistas alertam que o planejamento baseado no calor histórico está morto. Você não pode projetar uma cidade para o clima de 1990. Você projeta para 2035.
E 2035 será mais quente.
Keith não mede palavras. “Vai ficar mais quente por mais tempo.”
Os recordes serão quebrados. Ano após ano. Em todo o mundo.
Não estamos nos recuperando. As noites frescas? Isso é raro agora. Seu corpo precisa das horas escuras para se recuperar do estresse térmico do dia. Sem essa queda, o sistema trava.
Então nos adaptamos. Construímos redes melhores. Abrimos portas. Aceitamos a nova realidade.
Ou não.
De qualquer forma, o calor está esperando. E não vai embora.
