Deslizamentos de terra aconteceram lá.
Eles não são apenas mudanças de poeira. Estamos falando de pedaços de gelo grandes o suficiente para enterrar cidades inteiras se pousarem aqui na Terra.
A prova está nos arquivos do sobrevôo da New Horizons em 2015. Uma equipe liderada pelo geólogo Marco Discenza foi escavar. Eles pareciam difíceis. Especificamente, eles se debruçaram sobre as fotos da câmera LORRI, que pode detectar coisas tão pequenas quanto 98 pés ou cerca de 30 metros de largura. O que eles encontraram? Evidências convincentes de seis deslizamentos de terra separados. Todos eles caíram nas paredes internas das crateras que revestem a borda oeste do Sputnik Planuria, aquela mancha em forma de coração que todos reconhecem quando pensam no planeta anão.
Você poderia dizer: Plutão não é apenas uma rocha congelada?
Costumava parecer assim. Mas olhe mais de perto.
Até agora, vimos cicatrizes de deslizamentos de terra por toda parte. Marte. Ceres. As luas geladas pairando em torno de gigantes gasosos. Até Caronte, companheiro lunar de Plutão, mostra sinais de problemas semelhantes. Mas o próprio Plutão? Esta é a primeira vez.
Aqui está como parece:
- Um enorme deslizamento caiu 2,3 quilômetros direto para dentro da cratera Coughlin. Provavelmente aconteceu porque outro impacto sacudiu a borda próxima.
- Mais dois deslizamentos foram encontrados na cratera Giclas.
- Outros três foram avistados em uma cratera sem nome.
Os detritos não ficaram apenas no fundo. Ele derramou. Grandes aventais de detritos. Alguns se estendiam por nove milhas ou cerca de 14,5 quilômetros da fonte. O material parece irregular em alguns pontos, sugerindo blocos gigantes de gelo sólido caídos. Onde o material se rompeu, as falésias permanecem acentuadas. Côncavo. Limpar.
Estes são alguns dos deslizamentos de terra mais móveis que já vimos no sistema solar.
Por que? A baixa gravidade ajuda. O gelo também. Não há atrito como a rocha na terra. O maior avental cobre 50 milhas quadradas. Só para colocar isso em perspectiva, aquela área poderia engolir uma grande cidade sem deixar rastros.
O que causou os deslizamentos?
Para Coughlin, nós sabemos. Um impacto próximo. Para os outros cinco? Ainda não temos certeza.
Uma ideia aponta para o estresse térmico. A órbita de Plutão é elíptica. Ele se aproxima um pouco mais do Sol, cruza o caminho de Netuno e depois volta para fora. Esse ciclo sutil de aquecimento e resfriamento faz com que materiais voláteis – nitrogênio molecular, monóxido de carbono, metano – sublimem e condensem ao longo do tempo. Essa expansão e contração estressam o gelo.
Poderia quebrá-lo. Poderia fazê-lo cair.
Provavelmente temos mais provas por aí. A espaçonave passou correndo em julho de 2015. Ela não ficou por aqui. Simplesmente não temos imagens para confirmar cada cicatriz. O planeta manteve seus segredos. Talvez alguns ainda permaneçam escondidos nas sombras que não nos preocupamos em fotografar.
